15.10.09

A Fórmula 1 bateu no fundo?

A condenação de Flavio Briatore e da Renault pelo acidente de Nelson Piquet Jr. no Grande Prémio de Singapura do ano passado deixou o mundo perplexo.


Que alguém possa ter dado – ou aceitado – uma ordem para ter voluntariamente um acidente de forma a favorecer um companheiro de equipa é algo que qualquer pessoa bem formada se recusa a aceitar. Não só pelas imprevisíveis consequências que isso pode ter, mas também pelo facto de esse “risco” ter sido usado para deturpar a verdade desportiva.


Mas, curiosamente, a reacção parece ter sido mais violenta fora da F1 do que dentro dela. E isso é o mais grave! As pessoas que conhecem e acompanham a F1, os seu actores, adeptos e comentadores, pronunciam-se muitas vezes com um “sim, mas…”. Para as pessoas de fora da competição, que só a acompanham à distância, o “mas” não tem cabimento. E percebe-se porquê: quem conhece a F1 sabe que este não foi o primeiro - nem será o ultimo – golpe na verdade desportiva em nome dos enormes interesses económicos em jogo. Mas, para quem está de fora, atingiu-se um ponto de não retorno.


Muitas vezes, a expressão “bateu no fundo” é apenas a maneira mais rápida de descobrir que o “poço” afinal não tem “fundo”. Mas – pergunta-se – será possível descer mais baixo? O que é “descer mais baixo”?


As respostas a essas perguntas demonstram que a F1 precisa urgentemente de se reformar e de reinventar a sua relação com os interesses económicos em jogo. Sob pena de o desporto passar a viver como se estivesse num mundo à parte. E isso é o princípio do seu definhamento.